quinta-feira, 12 de maio de 2016

Precisamos de uma nação.




Em uma reflexão um tanto complexa, diante de tudo o que vem ocorrendo em nosso país algo me deixou um tanto apreensiva.Nem de direita, nem de esquerda, o propósito dessa escrita é falar como brasileira, como cidadã.Neste momento de alienação coletiva, lógica e ponderação devem ser usadas ao invés dos argumentos emocionados, dos gritos e dos xingamentos para com os outros.

Atualmente, nenhum partido conhecido possui uma mentalidade soberana que defenda uma ideologia que lhe dê um caráter definido e fidelidade aos valores da ética, do respeito e fundamentalmente ao princípio da defesa do interesse público. A governabilidade está vinculada a distribuição de cargos e verbas. Aqui, o lema de "Ordem e Progresso" se tornou utópico. A corrupção é algo que se alastra cada dia mais. Ela é apenas o estopim de tudo isso que chamamos de “Tinha que ser brasileiro” ou “Se não tiver zoeira não é Brasil”. Muito maior que algo chamado Governo,ou melhor, "DesGoverno" os erros estão aqui entre nós cidadãos, e nessa fala tomo a liberdade de generalizar, mas antes que me atirem a pedra, quero logo salientar que obviamente não são todos que agem da mesma forma.
Mas nesse caos que estamos vivemos nos dias de hoje cabe a reflexão: O que você tem feito para tornar o Brasil um país melhor? Sendo o primeiro a praticar a corrupção, reproduzindo discursos sem fundamentos, acreditando em tudo que as propagandas governamentais insistem em dizer, ou simplesmente estufando o peito e falando por aí que odeia política e "foda-se o Brasil"?- a linguagem é hostil, sim. Mas é a realidade de muitos brasileiros.

Não precisa ir muito longe pra perceber que a segregação é nítida. E você passa a pensar que sorte teve na vida por conseguir ter um emprego, por conseguir ter uma família e até por conseguir ter algum lugar para dormir. Em algo que deveria ser natural, deveria ser um DIREITO de todos.
Mas como DIZEM por aí: “A pobreza gera lucro”- pensamento mesquinho de alguém que não vivencia a penúria de cada dia. Alguém que não faz malabarismos pelos sinais para conseguir seu sustento, alguém que não é aquela criança que vende goma de mascar nos semáforos para ajudar a criar seus irmãos.
Não sabemos o dia de amanhã, e não sabemos como será a vida dos nossos filhos,netos... Frutos de uma pátria um tanto esquecida. Que entre tantas mentiras, tantos roubos escandalosos, tantos desvios, mas também entre tantos sabotamentos, tantas filas cortadas por falsas grávidas, entre tantos xingos à senhores(as) de idade que batalharam sua vida toda para uma mísera aposentadoria,nosso país tornou-se um país sem respeito.



O problema não é partidário, vai muito além da direita ou da esquerda. O nosso problema é aqui, entre nós, entre a falta do bom dia e a necessidade da cobrança à outros.
Gritos, choros, lamentações e ataques não são soluções para o país sair do caos. Averiguar as informações, estar ciente dos direitos e deveres de um cidadão, respeitar ideologias divergentes,e , principalmente, não se corromper diante dos pequenos detalhes para tirar proveito de algo de forma indigna é a principal saída. Sendo assim, deixaremos de ser retalhos de um país para nos tornarmos uma nação. Caminhando juntos para uma " sociedade justa, livre e democrática".

Antídoto e estricnina!




Todos os sentimentos que tenho guardado no peito, externizo sem medo nos versos que faço. Externizo porque sinto que as palavras têm poder - elas podem curar, mas também exacerbar . Cabe a nós saber usá-las. Palavras machucam ,palavras suavizam, palavras... 
Eu repito, eu digo: Palavras mal formuladas doem mais que um tapa na cara, ferem a alma. Palavras também podem persuadir uma alma movida ao escasso a se converter em uma alma generosa. Mas é preciso saber usá-las! Palavras bonitas não possuem valor se não forem verdadeiras ,palavras feias, quando ditas com o coração, poderão se tornar belas. Palavras...
É um misto de antídoto e estricnina.

-Maiana da Silva.

"Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro." E quem salva 669 vidas?

       O Schindler britânico. 

Na vida, todos nós temos uma missão. A missão de proteger alguém, mudar alguém, ou nascermos simplesmente para salvar alguém. No decorrer do caminho da vida, passamos por situações que nos faz crescer, passamos também por pessoas que fizeram uma grande diferença em nossas vidas, e fazem até hoje. No entanto, nossa História é repleta de pessoas fantásticas que fazem grandes feitos e inspiram todo o mundo, como anjos enviados de um glorioso céu para sentir a humanidade, e fazer algo por ela.
Sir Nicholas Winton tem uma das histórias mais fantásticas, além de ser uma das pessoas mais fantásticas que o mundo já conheceu.
Ele foi o responsável por organizar uma operação de resgate que salvou 669 crianças de campos de concentração nazista. Elas foram levadas em segurança até a Inglaterra entre os anos de 1938 e 1939.






Winton entrou em contato com a organização Refugee Children's Movement, em Londres, a fim de conseguir alojamento e dinheiro para aprovar a entrada na Inglaterra dos refugiados europeus perseguidos pelo nazismo. Ainda em 1938, a Inglaterra aprovou seu pedido, permitindo a entrada de refugiados com idade inferior a 17 anos, contanto que tivessem um lugar para ficar e £50 depositadas como garantia de pagamento de uma passagem para eventual retorno ao país de origem.


Enquanto ele organizava o resgate, o boato de que havia um homem ajudando as crianças em Praga se espalhou, ficando conhecido como "o Britânico da Rua Wenceslas". Isto levou diversas famílias a procurar por sua ajuda, tentando incluir seus filhos em sua lista na tentativa de salvar suas vidas.
Durante os nove meses seguintes, ele conseguiu evacuar 669 crianças, por um trem que seguia de Praga para Londres. Ao total foram oito viagens.
Um nono trem com 250 crianças deveria ter partido em setembro de 1939, mas este foi o dia em que o Reino Unido declarou guerra contra a Alemanha. O trem não saiu da estação e as crianças jamais foram vistas novamente.


A operação realizada pelo homem que hoje tem 105 anos, levou as 669 crianças em segurança até a Inglaterra entre os anos de 1938 e 1939.
No entanto, ao término da Guerra, esta operação não tinha sido identificada, sendo completamente desconhecida por todos. Foi somente no ano de 1988 que sua esposa Greta descobriu um velho arquivo contendo um livro, datado de 1939, com os nomes e as fotografias de todas as crianças que foram salvas, juntamente com cartas aos pais destas crianças.
Coragem, força de vontade e determinação, fizeram desse homem um salvador de vidas.






Emocionante: um programa da TV Britânica encheu o auditório com as crianças que um dia foram salvas pelo Schindler britânico. E ele não fazia a mínima ideia de que estava sentado ao lado delas.



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Tire seu racismo do meu caminho que eu quero passar com a minha cor. Georges Najjar Jr

127 anos se passaram desde a Abolição da Escravatura, mas em pleno século XXI, o Brasil, país da “democracia e alegria", ainda é palco de milhares de demonstrações de preconceito racial.
De forma sutil ou agressiva, o fato é que, num país MESTIÇO, a origem e a raça ainda pesam na consciência e na atitude de muitos.

O  negro na história do nosso país foi identificado como “coisa”, como um instrumento de trabalho ou como objeto de prazer, forjado para o deleite dos detentores do monopólio do poder.  Esta é a construção histórica da exclusão e da indiferença, muitas vezes de forma bem engendrada, alegre, irreverente e sutil, porém, bem estereotipada.
Volta e meia surge nas páginas dos jornais, em sites noticiários, nas telas de televisão, e agora, de uma forma mais arrebatadora, em redes sociais a tal repugnável prática do racismo. A mídia é uma das percursoras para essa prática tão abominável. Se tivermos a mínima atenção nas novelas  produzidas e televisionadas pela grande mídia, iramos reparar a  considerável parcela de seus atores negros, historicamente, interpretam papeis bem característicos, tais como, empregadas, serviçais, motoristas, posto ao que disse Nilo Batista:  integrantes da classe dos “Punidos e mal pagos"
 Porém, o que muitas vezes é dito como sendo e tratado como crime de racismo, nada mais é que uma injuria racial, não que eu queira dizer que isso diminua ou banalize o sórdido ato do preconceito racial, étnico, cultural  religioso, seja ele qual for.
Não podemos negar NUNCA que o racismo nasce das nossas simples atitudes. É vero que se estiver numa rua deserta e um negro passar correndo, você, automaticamente irá pensar que é ladrão ou qualquer tipo de pessoa sem boa índole. Já um branco, irá achar que está fazendo cupper.

O preconceito é um dos piores problemas sociais da nossa atualidade. É uma das manifestações mais abomináveis que o ser humano pode fazer.  Maltratar  alguém devido à cor da pele é um ato de ódio. E o pior de tudo é que, por mais que se combata esta prática criminosa, atos de racismo têm aumentado cada dia mais nos últimos tempos no Brasil. O país está cheio de casos recentes de manifestações racistas que comprovam que o Brasil não tem nada a ver com a “Democracia racial” com que alguns estudiosos festejavam a miscigenação e a convivência das raças por aqui. Pois o Brasil é, sim, um país preconceituoso. Sendo mais realista, ainda é um país primitivo.
Como vocês devem saber, muitos destes casos têm ido parar na Justiça.
E este é o caminho correto para qualquer pessoa que sofra discriminações racistas.   A descriminação de cor, gênero, região ou raça não deve ser encarada como uma atitude ingênua e inofensiva. Quem já foi vítima de descriminação, sabe equilatar perfeitamente o quanto ela é perniciosa ao ponto de causar grandes lacunas nos relacionamentos interpessoais. Vale ressaltar que o racismo não é um fenômeno cultural e nem é esporádico.
O preconceito flutua por todas as camadas e classes sociais. Muitas vezes, vindas pelos próprios negros. Muitas brincadeiras tidas como de mau gosto apenas camuflam atitudes preconceituosas. São formas veladas de preconceito quando dizemos que determinado fulano é violento porque nasceu em certa região;  quando no sul e sudeste do Brasil uma ação errada e taxada como “baianada”, etc. É o famoso estereótipo. O racismo é um crime inafiançável e imprescritível: Art. 5º, XLII da Constituição Federal.
O racismo não é fruto da ignorância. Todo racista sabe que suas concepções estão à margem da verdade e é um pré conceito, apenas um conceito antecipado. O grande poeta chileno Pablo Neruda foi muito feliz quando combateu o racismo com a seguinte frase: a sombra é sempre negra, nem que seja de um cisne branco!  As práticas de racismo e descriminação são inerentes ao ser humano. Devemos compreender que existe apenas uma raça, a humana e que as diferenças devem nos unir e não nos separar.  O racismo é a total falta de humildade, de humanidade e de discernimento! É um ódio irracional baseado na aversão a outras raças, credos e religiões. Não pode haver igualdade enquanto houver distinção. A consciência que devemos ter é que só existe uma raça: a raça humana.   É obrigação de todos nós a luta sem trégua para que esse mal seja extirpado do nosso convívio. Devemos viver sem fazer acepção das pessoas por causa da sua cor, raça, gênero, classe social ou escolha sexual. Que o racismo e toda forma de descriminação possam ser banidos para sempre da nossa sociedade.

Para finalizar,como diria o sábio Albert Einstein:
Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.






domingo, 20 de setembro de 2015

CPMF ( Cidadãos pagando maracutaias federais).



Como se já não bastasse a polêmica das pedaladas fiscais, o dinheiro sujo em campanhas eleitorais, o rombo nas contas públicas,  o esquema do BNDES, o desvio de dinheiro público para benefícios próprios, as mentiras e promessas não cumpridas em redes nacionais, além dos escândalos da Petrobrás e do mensalão, o governo quer recriar o CPMF ( Contribuição provisória sobre movimentação financeira) , este que foi extinto em 2007.
O CPMF foi criado em 1993 e nasceu com o nome de IPMF  ( Imposto Provisório sobre movimentação financeira ), foi criado com o objetivo de fortalecer o caixa que passava por uma crise na saúde . Os governantes afirmavam que o imposto  seria extinto em janeiro de 1994, mas não foi o que aconteceu ,e o imposto de cheque se prorrogou de 1993 até julho de 2007 arrecadando 284 bilhões de reais aos cofres públicos. Em 1999, o dinheiro arrecadado passou a ser dividido com a previdência. Em 2001, passou  a ser dividido com o fundo de combate e erradicação da pobreza. A última prorrogação se estendeu de 2002 até 2007. Agora, em setembro de 2015, o governo quer recriar esse plano abrupto para sair de uma balbúrdia que ele mesmo criou. Não temos mais espaço para aumentar impostos. O brasileiro ainda espera uma reforma tributária socialmente justa. Um estudo feito com 30 países pelo IBPT  ( Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação ) ,  declarou que dentre os  30 países estudados, os impostos que menos se convertem em serviços para a população são os do Brasil, além de ser o país que mais paga impostos.
Os governantes fazem um alarde com o dinheiro público gastando mais  do que podem, endividam seus estados  ou o governo federal e , depois de quebrarem o Estado , querem quebrar o cidadão trabalhador alegando que a única saída para o total insolente desgoverno é aumentar os impostos- querem fazer caixa às custas dos pobres brasileiros que já trabalham 150 dias para pagar impostos diretos e indiretos- pagam impostos até pelo ar que respiram. É decerto que não precisa de CPMF para sair da miséria que se encontra o Brasil. O governo tem a OBRIGAÇÃO  de obter mais recursos para a população à medida que o PIB aumenta. Pior que pagar imposto é não ser beneficiado com ele.
A previdência e o INSS estão explodindo, as despesas subindo e nada é resolvido. Enquanto o deputado federal trabalha 3 dias por semana- ganha R $ 27.000 , sem contar com o auxílio moradia,  auxílio gasolina, passagens aéreas , dentre outros benefícios-  o trabalhador  brasileiro está se estrepando para garantir algo que o  governo tem a obrigação de oferecer, mas não oferece. Saúde precária, instituições educacionais em decadência,  segurança vil, sem contar com o transporte e o lazer que estão no exílio .
CPMF é errado, é imoral e não deveria existir.
Querem resolver a CPMF de forma simples ? Em vez de cobrar do contribuinte,  cobra dos bancos.  A cada movimentação,  eles pagam 0,20 %.
A criação de qualquer  novo imposto- seja que alíquota for- nessa altura do campeonato é razão suficiente para o declínio do país.

sábado, 12 de setembro de 2015

O silêncio da noite.

À noite escuto vozes murmurando aos meus ouvidos. Não são ruídos, nem fantasmas. Apenas gritos no silêncio da minha alma emudecida
É à noite que minha alma grita competindo com o som dos trovões, e nas noites mais escuras, as estrelas brilham com mais frequência, me mostrando qual caminho devo seguir.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Fora de mim.

Entre pedregulhos, flores e  espinhos, me encontrei iniciando uma jornada homérica, longa e empreita numa vasta floresta. Estava descalça, desprovida de vestes , tinha apenas a transparência da minha alma suja de carmim.
Um cheiro de murta exalava por todo ambiente, misturado ao cheiro das flores que me tornava mais pachorrenta. Contudo,  algo foi mais forte que o aroma inebriante, e de pachorrenta me tornei atordoada... Impulsivamente, olhei para todos os lados, louvando com clamor toda a paisagem que me circundava. De repente, comecei a gritar, mas o meu grito era uma bela melodia que se disputava com o cantar dos passarinhos. A minha dança, por sua vez, se trancafiava  ao embale do sussurro do mar, o qual não estava calmo, muito menos manso, mas atordoado como se algo o tornasse vil.
Em meio aos arrulhos,  continuei a gritar, cantar e a dançar quando, de repente,  me encontrei à tessitura. Foi mágico , uma verdadeira utopia. Consegui fazer dum lugar macabro, totalmente abandonado que se assemelha à tristeza, o meu palco de dança.
Ao lado direito, tinha um enorme caramanchão,  que tinha frutos, sim, eu vi frutos. Em seguida, me senti tentada a devorá-los como a Eva se sentiu com a maçã do éden.
Ao lado esquerdo, tinha um enorme mar aberto que parecia me acalentar com sua estúpida avareza.  No momento, não soube para qual lado partir, e meu coração, um tanto quanto puro, se viu pretuberante. De repente, avistei um enorme barranco, então eu subi, e subi, e subi. ..Parecia não ter fim. Repentinamente, uma voz tenebrosa gritava com tanta intensidade : "Vamos, saia daí!" Um lugar decerto abandonado ainda tinha pessoas? Foi o que passou pela minha mente. Me sentia perdida, mas ao mesmo tempo me encontrava naquele lugar que gradativamente se sintonizava ao meu estado de espírito. Não soube para qual lado partir. E se a voz que estava clamando para que eu me retirasse fosse dona de uma alma traidora e cruel? E se eu andasse um pouco mais para frente, o que aconteceria comigo? Não pensei novamente e andei abruptamente para a frente. Subitamente, não senti mais os meus pés , senti apenas um tremendo frio na barriga, e olhando para baixo, me senti cada vez mais próxima dum mar aberto. Eu não sabia nadar, mas adorei voar. Viajei para bem longe de mim , ainda  não tenho a certeza se voltei.